28 maio 2026

Ministério da Saúde substitui vacina antiga por versão mais eficaz contra meningite e pneumonia

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer, a partir de junho, uma vacina mais completa para a prevenção da doença pneumocócica em todo o país. A nova vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), também conhecida como Pneumo 20, substituirá a versão 10-valente atualmente utilizada no calendário infantil, ampliando significativamente a cobertura contra diferentes sorotipos da bactéria.

A mudança foi oficializada pelo Ministério da Saúde, que divulgou um guia técnico preliminar com orientações para os profissionais da área. A aplicação do novo imunizante dependerá apenas da chegada das doses aos municípios.

A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae e pode provocar desde infecções leves, como otite e sinusite, até quadros graves, como pneumonia, meningite e sepse. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas ou sistema imunológico comprometido estão entre os grupos mais vulneráveis.

Dados apontam que o pneumococo é responsável por até metade dos casos de meningite bacteriana em crianças, com taxa de mortalidade que pode chegar a 30%. Embora a introdução da vacina 10-valente em 2010 tenha reduzido significativamente os casos — com queda de até 65% nas meningites pneumocócicas em crianças de até dois anos —, houve um aumento recente na incidência da doença.

Entre 2013 e 2019, a média anual de casos de meningite pneumocócica em crianças de até cinco anos foi de 164. Já no período de 2022 a 2024, esse número subiu para mais de 211 casos por ano.

Especialistas explicam que esse crescimento está relacionado a uma mudança no comportamento da bactéria. Com o controle dos sorotipos cobertos pela vacina anterior, outros passaram a circular com maior frequência — fenômeno conhecido como “substituição de sorotipos”.

A nova VPC20 foi desenvolvida justamente para enfrentar esse desafio, incluindo tipos da bactéria que hoje são responsáveis por grande parte dos casos graves. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 40% das infecções mais severas recentes estão associadas a sorotipos não contemplados pela vacina anterior, mas presentes na nova formulação.

Além de proteger diretamente os vacinados, o imunizante também contribui para reduzir a transmissão da bactéria, ao impedir sua colonização na nasofaringe, ampliando a proteção coletiva.

O esquema vacinal básico segue com duas doses aos 2 e 4 meses de idade, além de uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças com menos de cinco anos que não completaram a vacinação devem atualizar a caderneta o quanto antes.

Durante o período de transição entre as vacinas, haverá um esquema misto de aplicação, combinando doses da VPC10 e da VPC20 conforme o histórico vacinal da criança.

O Ministério da Saúde reforça que a vacina é segura e tem poucas contraindicações, sendo restrita apenas a pessoas com histórico de alergia grave a componentes da fórmula ou reações severas em doses anteriores. Em casos de febre, a recomendação é adiar a vacinação até a recuperação.

A expectativa é que a introdução da VPC20 contribua para uma nova redução nos casos de doenças pneumocócicas no Brasil, especialmente entre o público infantil.

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