A prolongada demora na conclusão de obras estratégicas em Universidade Federal do Maranhão (UFMA) tem intensificado críticas à atual gestão do reitor Fernando Carvalho. Mesmo após anos de investimentos milionários e sucessivas promessas, a Biblioteca Central da universidade e o histórico Palácio das Lágrimas seguem fechados, gerando insatisfação entre estudantes, professores e a sociedade em São Luís.
A situação da Biblioteca Central é emblemática. Iniciada em 2010, a obra já ultrapassa 15 anos de execução e consumiu cerca de R$ 31 milhões — quase o triplo do orçamento inicial. Problemas graves foram apontados ainda nas primeiras etapas, incluindo irregularidades administrativas identificadas pela Controladoria-Geral da União. Desde então, a troca sucessiva de construtoras e a falta de continuidade administrativa contribuíram para o cenário atual de abandono parcial.
Apesar de uma entrega incompleta em 2023, o prédio segue sem funcionamento. O acervo de mais de 180 mil livros permanece disperso, prejudicando atividades acadêmicas e evidenciando a incapacidade da gestão em garantir a operacionalização de um equipamento essencial. Estudantes relatam frustração com promessas recorrentes que nunca se concretizam, apontando falta de transparência e planejamento.
O caso do Palácio das Lágrimas reforça o quadro de ineficiência. O prédio histórico, fechado desde 1990, acumula décadas de descaso. Mesmo após decisão judicial que determinava a retomada das obras, a universidade demorou anos para agir. O novo projeto, iniciado em 2024 com previsão de entrega em 2025, também não foi concluído, mantendo o imóvel isolado e sem utilidade.
Embora o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional aponte que o local integra ações do Novo PAC, a responsabilidade direta pela execução recai sobre a universidade, cuja gestão tem sido questionada pela condução lenta e pouco eficaz dos projetos.
A UFMA, por sua vez, afirma que as obras seguem “dentro dos cronogramas atualizados”, mas evita apresentar datas concretas para entrega — o que aumenta a desconfiança da comunidade acadêmica. Para críticos, a falta de previsibilidade e os constantes adiamentos refletem problemas de gestão e ausência de prioridade por parte da reitoria.
Diante desse cenário, cresce a cobrança por maior responsabilidade administrativa e transparência. Para muitos, os atrasos não são apenas técnicos, mas resultado de uma condução considerada ineficiente sob a liderança de Fernando Carvalho, que agora enfrenta pressão por respostas concretas e soluções definitivas.
Enquanto isso, dois dos mais importantes equipamentos educacionais e culturais da capital maranhense seguem inacessíveis, simbolizando não apenas obras inacabadas, mas também uma crise de gestão que impacta diretamente a comunidade universitária e o patrimônio histórico local.

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