16 dezembro 2025

”Lideranças” estão se autodestruindo na política


Por Simplicio Araújo 

Hoje virou comum ver postagens anunciando “adesões” a políticos. Mas, na prática, muitas dessas adesões não são apoio de verdade: são negócios. E, quase sempre, negócios bancados com dinheiro público, direta ou indiretamente.

Essas “adesões” costumam ser celebradas com festa: salão alugado, churrasco, música, restaurante caro. Tudo para comemorar apoio a um candidato que, na maioria das vezes, é desconhecido do povo e não tem compromisso real com aquela “liderança” depois da campanha. Porque ali não é parceria. É serviço pago.

E desse dinheiro, a maior parte não vira melhoria para a comunidade. Vai para o bolso de quem se diz “líder”. Para o eleitor, sobra quase nada: um copo de cerveja, um pedaço de carne, uma selfie, um tapinha nas costas e a promessa de sempre.

A “liderança” ainda usa uma parte do dinheiro para convencer o povo de que o candidato é “bom” e, principalmente, para vender a ideia de que esse apoio vai ajudar o próprio “líder” a se eleger vereador ou prefeito no futuro. Muitas vezes isso é blefe. E é um blefe que acaba destruindo a credibilidade desse tipo de liderança.

Hoje, quem banca esse show é quem tem dinheiro — muito dinheiro. Mas não é só dinheiro: é mentira também. Porque eles sabem que muitas “lideranças” não têm renda, não têm trabalho político de verdade, e acabam vivendo desse comércio de votos: juntam gente, prometem apoio e vendem esse apoio para quem pagar mais.

Isso é ruim para as cidades, porque o voto deixa de ser escolha consciente e vira mercadoria. A comunidade “entrega” seus votos por intermediários e depois descobre que não tem ninguém para defendê-la de verdade, porque o eleito não deve lealdade ao povo: deve lealdade ao acordo.

Mas é ainda pior para as próprias “lideranças”. Elas não percebem, mas estão cavando a própria cova. A cada voto vendido, a política perde valor. A cada acordo feito por dinheiro, nasce menos compromisso. E, quando a política vira balcão de negócios, acontece uma “seleção natural” cruel: quem manda é quem compra — e quem se vende vai ficando menor, mais descartável, mais fraco.

No fim, é um ciclo que devora todo mundo: o comprador compra hoje e abandona amanhã; o vendedor vende hoje e perde respeito depois; e o povo, que deveria ser o dono do jogo, acaba ficando com as sobras.

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