A condução política do MDB no Maranhão voltou ao centro do debate interno do partido após novas movimentações do presidente estadual da sigla, Marcus Brandão. A tentativa de fortalecer o controle familiar sobre o diretório local tem causado desconforto entre lideranças nacionais e reacendido discussões sobre os rumos da legenda no estado.
Desde que aliados do Palácio dos Leões passaram a defender a continuidade do grupo Brandão no comando do MDB maranhense, dirigentes históricos demonstram preocupação com o que classificam como uma “interferência desmedida” e uma tentativa de concentrar poder partidário. Nos bastidores, integrantes da cúpula nacional avaliam que Marcus Brandão estaria ultrapassando limites internos para manter influência na máquina pública estadual.
De acordo com relatos de dirigentes, um dos episódios que mais chamou atenção nos últimos meses foi a suposta orientação para que deputados federais maranhenses adotassem posicionamento crítico a ministros do Supremo Tribunal Federal. A iniciativa, considerada incomum e destoante da postura tradicional do MDB, teria sido recebida com reserva pela direção nacional.
Lideranças ligadas à Fundação Ulysses Guimarães afirmam ainda que Marcus Brandão tem se afastado dos debates internos do partido. O dirigente estadual não participou do encontro nacional promovido em outubro, em Brasília — evento considerado estratégico para alinhamento das pautas partidárias de 2026.
A tensão aumentou após a realização de uma convenção estadual que, segundo aliados históricos do MDB, foi articulada para conduzir o filho de Marcus Brandão à presidência do diretório estadual. O movimento ocorreu antes mesmo de a executiva nacional definir quem substituirá Baleia Rossi na liderança nacional da sigla.
A indicação de um nome jovem, sem histórico eleitoral e sem experiência administrativa, reacendeu críticas dentro do partido. Para parte da militância e de ex-dirigentes, o MDB maranhense estaria sendo transformado em um instrumento de interesses familiares, destoando do legado de lideranças como José Sarney, João Alberto e da ex-governadora e deputada federal Roseana Sarney.
Nos bastidores de Brasília, dirigentes têm se referido ao episódio como uma “situação delicada” e avaliam possíveis medidas para reequilibrar a condução política da legenda no Maranhão. A cúpula nacional teme que as disputas internas prejudiquem a estratégia partidária para as eleições municipais de 2026 e para a recomposição de bancadas estaduais.
Enquanto isso, no Maranhão, aliados do governo defendem que o MDB siga alinhado ao Palácio dos Leões, argumentando que a unidade fortaleceria o campo governista no próximo pleito.
A indefinição sobre a presidência nacional do MDB e o avanço das articulações locais indicam que o partido deve enfrentar semanas decisivas. Entre pressões internas, críticas públicas e disputas silenciosas, o futuro do comando da sigla no Maranhão segue aberto — e cada vez mais observado pela política nacional.
Com informações Os Analistas

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