O feriado de 21 de abril marca a morte de Joaquim José da Silva Xavier, figura central da Inconfidência Mineira e símbolo da luta contra o domínio português no Brasil. A data, celebrada em todo o país desde o início da República, também revela como a imagem do personagem histórico foi moldada ao longo do tempo — inclusive com forte influência religiosa.
Tiradentes foi executado em 1792, no Rio de Janeiro, acusado de traição à Coroa portuguesa. Diferentemente da figura popularizada nos livros e pinturas, ele teria sido levado à forca sem barba e com aparência simples, distante do visual que o consagrou como mártir nacional.
Participante de um movimento que defendia a independência e a implantação de um regime republicano, Tiradentes levava uma vida multifacetada. Atuou como dentista, minerador, comerciante e militar. Descrito por historiadores como comunicativo, teimoso e interessado em conhecimento, ele estava longe de ser apenas o herói idealizado.
Após sua execução, o corpo foi esquartejado e exposto em pontos estratégicos de Ouro Preto — então chamada Vila Rica — como forma de repressão e exemplo contra rebeliões. Décadas depois, com a Proclamação da República no Brasil, sua figura passou a ser resgatada e exaltada como símbolo nacional.
Sem retratos oficiais da época, artistas tiveram liberdade para imaginar a aparência de Tiradentes. No final do século XIX, o cartunista Ângelo Agostini foi um dos responsáveis por criar uma imagem que se tornaria referência.
Inspirado em representações clássicas de Jesus Cristo, especialmente em obras como as do pintor Antoon van Dyck, Tiradentes passou a ser retratado com barba longa, cabelos compridos e expressão serena — características associadas à ideia de sacrifício e martírio.
Essa associação também foi reforçada por relatos religiosos de seus últimos dias e por obras literárias. O poeta Castro Alves, por exemplo, chegou a descrevê-lo como “o Cristo da multidão”, estabelecendo um paralelo entre sua execução e a crucificação.
O dia 21 de abril foi oficializado como feriado nacional em 1890, por meio de decreto republicano. Já em 1965, durante o governo de Humberto de Alencar Castelo Branco, Tiradentes foi declarado patrono cívico da nação.
Mais do que um mártir, historiadores destacam que Tiradentes foi um homem comum inserido em seu tempo, mas que assumiu a responsabilidade pelo movimento ao qual pertencia sem delatar companheiros — fator que contribuiu para sua projeção como herói.
A data, portanto, não apenas relembra sua morte, mas também evidencia como a história e a memória coletiva podem transformar personagens reais em símbolos duradouros da identidade nacional.




