10 março 2026

Impasse salarial leva rodoviários a ameaçar nova paralisação do transporte na capital

O sistema de transporte público de São Luís pode enfrentar uma nova paralisação nos próximos dias. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (STTREMA) anunciou que a categoria concedeu prazo de 72 horas para que as empresas regularizem pendências trabalhistas, sob risco de greve geral.

De acordo com o sindicato, as empresas do setor não estariam cumprindo a decisão da Justiça do Trabalho que determinou reajuste salarial de 5,5% sobre o salário base dos rodoviários. A denúncia foi feita após trabalhadores relatarem que o pagamento realizado na última sexta-feira (6) ocorreu sem a aplicação do aumento, enquanto em alguns casos os salários sequer teriam sido depositados.

O presidente do sindicato, Marcelo Brito, afirmou que a categoria cobra apenas o cumprimento do que foi estabelecido judicialmente. Segundo ele, o prazo estipulado busca evitar prejuízos maiores à população que depende do transporte coletivo na capital maranhense.

Além do reajuste salarial, os rodoviários reivindicam a atualização do valor do ticket alimentação e de outros benefícios previstos na Convenção Coletiva de Trabalho. De acordo com o sindicato, essas garantias também estariam sendo descumpridas pelas empresas.

O STTREMA informou ainda que encaminhou ofícios às autoridades responsáveis pelo sistema de transporte e aos órgãos competentes relatando o descumprimento da decisão judicial. Caso as irregularidades não sejam resolvidas dentro do prazo estabelecido, a categoria poderá iniciar uma paralisação geral das atividades.

Até o momento, as empresas responsáveis pelo transporte público da capital maranhense não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações feitas pelo sindicato.

Direção do PSOL descarta federação com PT e mantém estratégia eleitoral no Maranhão

O pré-candidato ao governo do Maranhão e dirigente nacional do PSOL, Enilton Rodrigues, afirmou em entrevista à TV Mirante que o partido decidiu não avançar na proposta de federação com o Partido dos Trabalhadores (PT). Apesar da decisão, a legenda seguirá dialogando com outras siglas do campo progressista no estado.

De acordo com Enilton, a posição foi definida durante reunião da direção nacional do partido e não altera a estratégia política do PSOL no Maranhão. Segundo ele, a sigla mantém o plano de disputar as eleições estaduais com candidatura própria ao governo.

Durante o encontro, o diretório nacional aprovou três pontos principais: o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno das eleições presidenciais, a renovação da federação partidária com a Rede Sustentabilidade e a rejeição da proposta de federação com o PT. A aliança com o partido foi rejeitada por 76% dos votos dos dirigentes nacionais.

No Maranhão, o PSOL já iniciou a organização de sua chapa para a disputa eleitoral. Além da pré-candidatura de Enilton Rodrigues ao governo do estado, a legenda também pretende lançar candidatura ao Senado com o nome de Antônia Cariombo.

Mesmo sem a federação com o PT, Enilton destacou que o partido mantém diálogo com outras legendas de esquerda, como o próprio PT, o PCdoB, o PV e o PSB. Segundo ele, a orientação é fortalecer alianças programáticas sem abrir mão da autonomia política da sigla no estado.

O dirigente também afirmou que o PSOL não pretende firmar alianças com grupos ligados ao bolsonarismo e seguirá construindo um programa próprio de governo. Entre as propostas defendidas pelo partido estão a implantação da tarifa zero no transporte público, a valorização dos servidores e a ampliação das políticas públicas.

Por fim, Enilton ressaltou que a legenda considera importante a unidade das forças de esquerda, mas avalia que possui condições de disputar o governo do Maranhão de forma independente. Ele afirmou ainda que o PSOL gostaria de contar com o apoio do presidente Lula no estado, embora reconheça que a decisão dependerá das articulações políticas em nível nacional.

Marquinhos Silva critica gestão da Câmara de São Luís e projeta disputar presidência em 2027

O vereador Marquinhos Silva (União Brasil) afirmou que pretende disputar a presidência da Câmara Municipal de São Luís no biênio 2027–2028 e fez críticas à atual condução da Casa durante entrevista ao Programa Palpite, da rádio O Imparcial. Com quatro mandatos consecutivos, o parlamentar avaliou o cenário político municipal, comentou a relação entre Legislativo e Executivo e apresentou propostas para mudanças no funcionamento do parlamento ludovicense.

Durante a entrevista, Marquinhos apontou falhas na gestão do atual presidente da Câmara, Paulo Victor, afirmando que a instituição enfrenta problemas de representatividade e transparência. Segundo ele, a condução do Legislativo teria se distanciado de seu papel principal, que é representar os interesses da população.

Para o vereador, a função do parlamentar municipal vai além da produção de leis. Ele destacou que os vereadores atuam diretamente nas comunidades e mantêm contato constante com as demandas da população, funcionando como um elo entre os bairros e o poder público.

Entre as iniciativas defendidas por Marquinhos está a ampliação de projetos com impacto social, como medidas voltadas para famílias de baixa renda. Ele citou, por exemplo, a proposta que prevê isenção da taxa de iluminação pública para moradores em situação de vulnerabilidade.

Projeto para comandar a Câmara

Ao comentar seus planos políticos, Marquinhos Silva declarou que pretende disputar a presidência da Câmara nos próximos anos. Segundo ele, o objetivo seria promover uma reorganização administrativa e recuperar a credibilidade da instituição junto à sociedade.

Entre as propostas apresentadas estão a mudança da sede do Legislativo municipal para um prédio considerado mais adequado, além da criação de iniciativas como uma Câmara Itinerante e o fortalecimento de canais de participação popular, como ouvidorias.

O vereador também defendeu maior transparência na gestão da Casa. De acordo com ele, é necessário ampliar o acesso da população às informações sobre o funcionamento do parlamento e a aplicação dos recursos públicos.

Marquinhos Silva também fez críticas à gestão do prefeito Eduardo Braide, apontando falta de diálogo entre o Executivo municipal e o Legislativo. Segundo o vereador, há dificuldades na interlocução institucional e na execução de emendas parlamentares destinadas a áreas como saúde e assistência social.

Ele afirmou que, apesar do crescimento do orçamento municipal nos últimos anos, a administração precisaria ampliar os canais de escuta com diferentes setores da sociedade e com os próprios vereadores.

Na análise sobre a política maranhense, o parlamentar comentou ainda a relação entre o governador Carlos Brandão e aliados do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Na avaliação de Marquinhos, divergências políticas entre grupos que compunham a mesma base têm influenciado o cenário estadual.

O vereador declarou apoio à gestão de Brandão e destacou a atuação do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, a quem atribuiu capacidade de diálogo com prefeitos e lideranças do interior do estado.

Ao projetar o cenário eleitoral, Marquinhos Silva afirmou acreditar que o grupo político ligado ao governador deve chegar fortalecido às eleições de 2026, principalmente pela articulação com os municípios maranhenses.

A entrevista completa com o vereador foi transmitida no Programa Palpite, da rádio O Imparcial, onde o parlamentar detalhou suas avaliações sobre a política local, estadual e nacional.

06 março 2026

Projeto de formação em cinema etnográfico entrega certificados e kits audiovisuais a escolas da rede estadual

A cerimônia de entrega de certificados e kits audiovisuais do curso de Formação em Documentário e Cinema Etnográfico, realizada nesta quinta-feira (5), no auditório do IEMA Pleno São Luís/Centro, marcou o surgimento de uma nova geração de pensadores da imagem. O evento celebrou a transferência de tecnologia e conhecimento para estudantes e professores que, historicamente, estavam apenas diante das câmeras e agora passam a assumir o controle da própria narrativa.

As escolas participantes do projeto que produziram no mínimo cinco obras audiovisuais tiveram direito a receber um kit de produção, composto por ilha de edição, câmera, microfone boom e gravador. Ao todo, quatro instituições da rede estadual foram contempladas: o IEMA/Centro, o IEMA/Gonçalves Dias, o Liceu Maranhense e a escola Dr. Antônio Jorge Dino, localizada no bairro São Cristóvão.

O projeto foi realizado com apoio da Lei Rouanet,  patrocínio da Equinox Gold, produção da FazCine Educação, com apoio da Federação das Indústrias do Maranhão (FIEMA), Sesc e Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Educação. A iniciativa vai além do ensino técnico de operação de equipamentos audiovisuais, buscando explorar a subjetividade de estudantes e professores e transformar a sala de aula em um espaço de resistência cultural e preservação da memória.



Para os jovens do IEMA, a formação em cinema etnográfico representa a conquista do direito à própria imagem. Ao aprenderem a documentar o cotidiano, as festas populares e os dilemas sociais sob uma perspectiva antropológica, os estudantes deixam de ser consumidores passivos de mídia para se tornarem produtores de cultura. Já os professores assumem o papel de mediadores dessa nova alfabetização visual, considerada essencial para uma educação integral e crítica.

O coordenador do projeto e professor das disciplinas de direção de fotografia, produção, direção e antropologia visual em cinema, Emilson Ferreira, destacou a importância de descentralizar o acesso aos meios de produção audiovisual. Segundo ele, o projeto contou com uma formação de 200 horas destinada aos professores, iniciada em julho de 2024 e finalizada em dezembro de 2025, além de quatro oficinas voltadas aos estudantes nas áreas de câmera, som, produção e edição, cada uma com carga horária de 10 horas.

“A base teórica que norteou este projeto foi a antropologia fílmica, área do conhecimento que dialoga com qualquer disciplina. Possibilitamos a participação de professores da área de ciências exatas, ciências biológicas, e outras, os quais desenvolveram pesquisas com seus alunos que resultou em 14 filmes etnográficos. Cada filme teve mais de uma versão, pois nós trabalhamos na perspectiva metodológica do Jean Rouch onde o objeto é construído de forma coletiva colaborativa. Teve filme que tiveram seis versões a partir do olhar dos estudantes. E o legal de cada esboço feito fizemos uma parceira com o Cinema do Sesc onde o filme era exibido, debatido com a comunidade, estudantes, professores, cineastas e personagens da produção onde depois os estudantes voltavam a campo para melhorar sua pesquisa audiovisual faziam uma nova versão e de novo a gente exibia o produto”, explicou Emilson Ferreira.

Durante a formação, foram ofertadas mais de 1.800 vagas para estudantes e professores que tiveram contato, pela primeira vez, com a prática e a operação do cinema, passando por etapas de pesquisa, produção e pós-produção, com o objetivo de desenvolver novas metodologias de ensino.

“Professores e estudantes foram envolvidos no mundo do cinema. E a contribuição que este curso dá é a formação de novos atores sociais, produtores culturais, no cenário audiovisual do nosso estado. Essa experiência também envolveu professores e pesquisadores da Universidade Federal do Pará e do Paraná onde os professores destas escolas tiveram um contato mais acadêmico da pesquisa no viés da antropologia fílmica”, acrescentou o coordenador.

Legado físico e intelectual

A entrega dos kits audiovisuais — compostos por ilhas de edição, câmeras e sistemas de captação de áudio — garante que o projeto tenha continuidade para além da cerimônia de encerramento. As escolas contempladas passam a atuar como polos de produção cultural independente.

O investimento da Equinox Gold e o suporte da FIEMA, por meio da Lei de Incentivo, consolidam uma política de responsabilidade social voltada para o fortalecimento do talento humano no estado.

Com os certificados em mãos e os equipamentos disponíveis, os novos documentaristas se preparam agora para as janelas de exibição, quando o público poderá acompanhar produções que revelam um Maranhão filmado por quem vive sua realidade cotidiana.

Para Stefanie Freire, de 18 anos, ex-aluna do IEMA/Centro e participante da formação, a experiência representou uma descoberta sobre o universo do cinema.

“Eu minha colega Camile Porto lideramos a produção sobre os Casarões de São Luís, e para nós foi muito bom porque envolvemos uma boa parte dos alunos da escola a conhecer mais sobre a história dos abandonos dos casarões de São Luís. Percebemos que estes casarões estão em estado de degradação ao longo do tempo e queríamos que este trabalho despertasse uma conscientização para preservá-los, pois eles fazem parte de nossa história”, explicou a estudante, que pretende cursar jornalismo.

Escândalo envolvendo dono do Banco Master pode ter desdobramentos políticos em Brasília

As investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, começam a revelar possíveis conexões entre o sistema financeiro e figuras influentes da política nacional. O caso, acompanhado de perto por autoridades e analistas, já provoca repercussão nos bastidores de Brasília e pode ter reflexos em diferentes estados, incluindo o Maranhão.

Segundo informações obtidas durante as apurações, o empresário mantinha interlocução frequente com integrantes da cúpula política nacional. Entre os nomes citados nas investigações estão o senador Ciro Nogueira e o advogado Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

Mensagens analisadas por investigadores indicariam um grau elevado de proximidade entre Vorcaro e lideranças políticas de destaque. Em uma das conversas já divulgadas, o banqueiro se refere a Ciro Nogueira como um “grande amigo de vida”, expressão que chamou atenção de autoridades e especialistas que acompanham o caso. O material também menciona encontros, viagens e articulações políticas que agora passam por análise dentro do conjunto de provas reunidas.

No cenário político do Maranhão, o caso passou a ser observado com cautela por envolver lideranças nacionais que mantêm relações políticas com representantes do estado.

No União Brasil, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes é considerado um dos principais aliados da direção nacional do partido e possui interlocução direta com Antonio Rueda. Já no Progressistas, o ministro do Esporte André Fufuca construiu sua trajetória política ao lado de Ciro Nogueira, atual presidente da legenda.

Apesar das conexões políticas, até o momento não há qualquer investigação ou acusação direcionada aos dois maranhenses. Ainda assim, analistas apontam que o caso pode lançar luz sobre as relações entre agentes do sistema financeiro e lideranças partidárias no país.

Nos bastidores do Congresso Nacional, o ambiente é de prudência. Parlamentares e dirigentes partidários aguardam os próximos desdobramentos das investigações conduzidas pela Polícia Federal, que analisa um grande volume de mensagens e documentos apreendidos durante a operação.

A avaliação reservada entre observadores políticos é que, dependendo das revelações contidas nesse material, o caso pode ultrapassar o campo financeiro e ganhar dimensão política mais ampla.

Caso novas informações surjam, o impacto pode atingir não apenas lideranças nacionais, mas também aliados regionais em diferentes estados. Entre parlamentares em Brasília, já circula a percepção de que o episódio pode revelar um sistema mais amplo de relações entre bancos, poder econômico e articulações partidárias no país.