30 julho 2026

São Luís registra maior tempo de deslocamento do país e expõe gargalos na mobilidade urbana

Um levantamento recente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério das Cidades, revelou que a Região Metropolitana de São Luís apresenta o maior tempo médio de deslocamento entre as principais regiões metropolitanas do Brasil. De acordo com o estudo, os moradores gastam cerca de 105,5 minutos por dia no trajeto entre casa e trabalho, índice significativamente superior à média nacional, que é de 62,4 minutos.

O dado evidencia os desafios históricos da mobilidade urbana na capital maranhense, que enfrenta problemas estruturais no transporte público e na organização do tráfego. A pesquisa também aponta a necessidade urgente de investimentos em sistemas de transporte de média e alta capacidade, como corredores exclusivos de ônibus, BRT e VLT.

Segundo o diagnóstico, estão previstos seis projetos estruturantes que somam 53 quilômetros de extensão e investimentos estimados em R$ 5,4 bilhões. Mesmo com a implantação dessas iniciativas, a previsão é de que a redução no tempo de deslocamento seja modesta, chegando a 93,48 minutos até 2054.

Especialistas destacam que, além de grandes obras, é necessário planejamento integrado, políticas públicas eficientes e melhorias na gestão do trânsito para reduzir o tempo que a população perde diariamente nos deslocamentos urbanos.

SINDUEMA critica calendário eleitoral e cobra mais transparência nas eleições da UEMA

O Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Maranhão (SINDUEMA) divulgou uma nota pública em defesa da democracia, da transparência e da isonomia no processo eleitoral que definirá a nova gestão da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) para o quadriênio 2026-2030. A manifestação ocorre em meio a críticas ao formato e ao calendário adotados para a escolha de reitor e vice-reitor da instituição.

De acordo com a entidade, o edital que regulamenta a eleição foi publicado no dia 20 de julho, durante o período de férias acadêmicas, estabelecendo um prazo de apenas sete dias corridos para inscrição de chapas. O período, encerrado em 27 de julho, é considerado insuficiente para a articulação de candidaturas, construção de alianças e apresentação de propostas à comunidade universitária.

O sindicato também questiona o intervalo reduzido entre a publicação do edital e a data da votação, marcada para 14 de setembro. Para o SINDUEMA, o prazo inferior a dois meses compromete o debate democrático e limita a participação efetiva de professores, estudantes e servidores técnico-administrativos.

Outro ponto levantado na nota diz respeito a possíveis inconsistências entre o edital e o Estatuto da universidade. A entidade destaca que, enquanto a norma institucional prevê o afastamento de ocupantes de cargos comissionados 90 dias antes da eleição, o edital permite a permanência desses gestores durante o processo eleitoral, o que, segundo o sindicato, pode afetar a igualdade de condições entre os candidatos.

A aprovação da data do pleito pelo Conselho Universitário (CONSUN) também foi alvo de críticas. A decisão ocorreu por margem apertada, com 14 votos favoráveis e 13 contrários, em reunião sem a participação de representantes estudantis, o que, na avaliação do SINDUEMA, fragiliza a legitimidade do processo.

Além disso, o sindicato reforça a defesa do voto paritário nas eleições universitárias, com divisão igualitária de peso entre docentes, estudantes e técnicos administrativos. Atualmente, o modelo vigente atribui maior peso aos professores, o que, segundo a entidade, compromete o equilíbrio na representação dos diferentes segmentos da comunidade acadêmica.

Na nota, o SINDUEMA também cobra o cumprimento rigoroso das normas institucionais, a garantia de igualdade entre as chapas concorrentes e a adoção de urnas eletrônicas da Justiça Eleitoral como forma de assegurar maior confiabilidade e transparência ao processo.

Por fim, a entidade alerta para os riscos de se definir etapas importantes do calendário eleitoral durante o recesso acadêmico, destacando que a medida pode reduzir o engajamento da comunidade universitária e prejudicar o debate necessário para a escolha da nova gestão da UEMA.



Festival AYÓ movimenta economia criativa e cultura popular no Centro de São Luís

O Centro Histórico de São Luís recebe, nesta quinta-feira (30) e sexta-feira (31), a terceira edição do Festival AYÓ – Onde a Raiz Encontra o Futuro. O evento gratuito acontece na Praça das Mercês e reúne uma programação diversa que une cultura popular, música e empreendedorismo.

Com foco na valorização da cultura afro-brasileira, o festival promove encontros entre tradição e inovação, abrindo espaço para artistas locais, grupos culturais e afroempreendedores. A proposta é fortalecer a economia criativa e ampliar a visibilidade da produção cultural maranhense.

A programação inclui apresentações de DJs, grupos de Tambor de Crioula e bois tradicionais, além da participação de atrações contemporâneas. O encerramento da sexta-feira (31) contará com o show da cantora Sandra Sá, considerada um dos grandes nomes da música brasileira.

Além dos shows, o público poderá visitar a Feira Afro, que reúne produtos variados, desde gastronomia até moda e artesanato, todos ligados à identidade e cultura negra.

O Festival AYÓ é uma realização do Instituto Cultural Pé no Chão, com patrocínio da Vale e apoio da Prefeitura de São Luís e da COMPIR, consolidando-se como um importante evento de promoção cultural no estado.

Nova lei cria “Pix Pensão” e amplia proteção às mulheres no Brasil

Entrou em vigor nesta semana uma nova lei federal que institui o pagamento automático de pensão alimentícia por meio do Pix. A medida, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca combater a inadimplência e assegurar maior regularidade no repasse dos valores.

Pelo texto, quando não for possível realizar o desconto diretamente na folha de pagamento do devedor, os bancos poderão efetuar a transferência automática para a conta do beneficiário. A inovação promete dar mais agilidade e segurança ao cumprimento da obrigação.

A deputada Camila Jara (PT-MS), também relatora de um dos projetos aprovados, ressaltou que a iniciativa representa um avanço na proteção social, especialmente para mulheres que dependem da pensão para sustento dos filhos.

Outra medida sancionada prevê a ampliação da divulgação do Ligue 180, serviço nacional de atendimento à mulher. A lei determina que o canal seja promovido em diversos espaços públicos e privados, com o objetivo de facilitar o acesso das vítimas a informações e denúncias.

O pacote de ações integra ainda o fortalecimento do Projeto Mulher Segura, que inclui mecanismos como o monitoramento eletrônico de agressores, reforçando o enfrentamento à violência doméstica no país.

Indicação de esposa para suplência expõe contradições e gera desgaste político para Márcio Jerry no Maranhão

A confirmação da indicação de Joslene Rodrigues, esposa do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), para a suplência da senadora Eliziane Gama (PSD) intensificou o debate sobre práticas políticas no Maranhão e abriu uma nova frente de desgaste para o parlamentar comunista.

A decisão veio à tona após manifestação pública do professor e dirigente partidário Odair José Neves, que revelou ter tido sua própria indicação rejeitada pela direção estadual do PCdoB. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o partido optou por manter o nome de Joslene, além de também barrar sua pré-candidatura a deputado federal, o que evidenciou insatisfação interna e reforçou a percepção de disputas dentro da legenda.

Nos bastidores, a articulação liderada por Márcio Jerry já era comentada há dias e, segundo aliados, enfrentava resistência dentro do próprio grupo político que apoia a senadora Eliziane Gama. A principal preocupação seria o impacto eleitoral da escolha, especialmente diante da avaliação de que o deputado possui índices de rejeição que poderiam contaminar a chapa e comprometer o projeto de reeleição.

O episódio ganhou contornos ainda mais delicados após o próprio Jerry ter negado anteriormente a existência da articulação, classificando as informações como “fake news”. A confirmação por parte de um membro do próprio partido, no entanto, enfraqueceu essa versão e levantou questionamentos sobre transparência e coerência política.

Analistas avaliam que a indicação da esposa reforça críticas recorrentes sobre práticas consideradas personalistas ou de favorecimento dentro de estruturas partidárias — comportamento que o próprio Márcio Jerry costuma condenar publicamente ao se referir a adversários políticos. O contraste entre discurso e prática tem sido explorado por opositores, que apontam incoerência na postura do parlamentar.

Além disso, o caso reacende o debate sobre renovação política e meritocracia dentro dos partidos, especialmente em um momento de definição de chapas e alianças para as eleições estaduais. Para críticos, a escolha de nomes ligados diretamente a lideranças pode limitar a oxigenação interna e afastar quadros que buscam espaço na disputa eleitoral.

Com a convenção partidária se aproximando, o impasse tende a se intensificar, colocando o PCdoB sob pressão para administrar conflitos internos e preservar sua imagem pública. Enquanto isso, o episódio segue repercutindo no cenário político maranhense, alimentando críticas e ampliando o desgaste de Márcio Jerry em um momento estratégico do calendário eleitoral.