01 setembro 2026

Fim da campanha de multivacinação não encerra vacinação de crianças e adolescentes

A Campanha Nacional de Multivacinação de 2026 termina nesta terça-feira (1º), mas a vacinação de crianças e adolescentes continua normalmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Iniciada em 3 de agosto, a campanha foi direcionada a menores de 15 anos e já contabiliza mais de 8 milhões de doses aplicadas em todo o país. No Dia D, realizado em 22 de agosto, mais de 1 milhão de doses foram administradas.

A mobilização nacional teve como principal objetivo identificar atrasos e ampliar a proteção contra doenças preveníveis por vacinação.

Pais e responsáveis podem procurar as Unidades Básicas de Saúde para conferir a situação vacinal dos filhos. A partir da análise da caderneta, os profissionais identificam quais doses são necessárias para iniciar ou completar os esquemas de imunização.

A vacinação protege contra diversas doenças, entre elas sarampo, poliomielite, febre amarela, gripe, covid-19, dengue, hepatites, coqueluche, tétano, difteria, meningites, pneumonias, caxumba, rubéola, varicela e HPV.

Entre as novidades da campanha de 2026 esteve a vacina pneumocócica 20-valente, chamada de Pneumo 20.

O imunizante passou a fazer parte do Calendário Nacional de Vacinação neste ano e protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, que pode provocar infecções como pneumonias e meningites.

A inclusão da vacina na campanha permitiu ampliar o acesso ao novo imunizante entre o público contemplado pela estratégia nacional.

Com o encerramento da mobilização, a população deve continuar atenta ao calendário de vacinação. As doses previstas pelo Ministério da Saúde permanecem disponíveis regularmente durante o ano nos pontos de vacinação dos estados e municípios.

A recomendação é manter a caderneta atualizada e procurar uma unidade de saúde sempre que houver dúvida sobre alguma dose ou necessidade de completar o esquema vacinal.

Nova tecnologia pretende reduzir faltas e otimizar vagas de consultas no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ganhar uma nova ferramenta para melhorar a organização dos atendimentos médicos. A tecnologia permitirá que pacientes confirmem ou reagendem consultas pelo WhatsApp, em uma tentativa de reduzir faltas e aumentar o aproveitamento das vagas disponíveis na rede pública.

A solução, criada pela Integra Saúde Digital, está sendo testada em municípios parceiros. A previsão é de que a ferramenta entre oficialmente em funcionamento no próximo trimestre.

A expectativa é que, nas regiões onde estiver disponível, o serviço possa atender cerca de 20,4 milhões de usuários.

O funcionamento deverá ser automatizado. Pelo aplicativo de mensagens, o paciente poderá receber informações sobre a consulta e confirmar a presença ou comunicar que não poderá comparecer. Nesse segundo caso, será possível solicitar uma nova data para o atendimento.

As faltas representam um desafio para a utilização eficiente da rede pública. Quando um paciente não comparece e não avisa antecipadamente, a vaga pode acabar sendo perdida.

Com o novo sistema, a comunicação poderá ocorrer de maneira mais simples e rápida, permitindo que a administração da rede tenha conhecimento da desistência e disponibilize o horário para outro paciente.

Durante os testes, serão avaliados fatores como a redução das faltas, o tempo de espera por agendamento, o aproveitamento das vagas e a satisfação dos usuários.

A nova tecnologia, no entanto, não deverá substituir a estrutura de regulação existente. As secretarias municipais de Saúde continuarão responsáveis pelo gerenciamento das vagas e pela organização dos atendimentos.

Para consultas com especialistas, permanecem as regras atuais de encaminhamento e integração com os sistemas locais do SUS.

31 agosto 2026

Pacientes relatam falta de vagas e dificuldades para atendimento no Hospital Carlos Macieira

Pacientes que buscam atendimento especializado no Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), em São Luís, relatam dificuldades para conseguir consultas e agendamentos em determinadas especialidades. Segundo relatos que circulam nas redes sociais, pessoas que chegam à unidade vindas de municípios do interior do Maranhão estariam sendo informadas de que não há vagas disponíveis e de que ainda não existe previsão para novos agendamentos.

A situação chama atenção por envolver uma das principais unidades de referência da rede estadual de saúde. O Hospital Carlos Macieira é reconhecido pela realização de procedimentos de alta complexidade e já recebeu credenciamento para transplantes de fígado e rim. A unidade também ganhou destaque por ter realizado o primeiro transplante cardíaco do Maranhão.

Apesar dos investimentos e avanços divulgados pelo Governo do Estado na área da saúde, os relatos de usuários apontam para dificuldades no acesso efetivo aos serviços especializados.

Para pacientes que dependem exclusivamente da rede pública, a ausência de vagas representa um problema que vai além do deslocamento até a capital. Muitos chegam a São Luís em busca de continuidade de tratamento e, diante da falta de agendamento, precisam retornar aos municípios de origem sem uma previsão concreta para serem atendidos.

Os relatos também mencionam uma possível sobrecarga dos funcionários da unidade diante da demanda. A situação reacende a discussão sobre a necessidade de conciliar a estrutura e os procedimentos de alta complexidade oferecidos pelo hospital com a capacidade de atendimento à demanda por consultas especializadas.

O governo estadual tem destacado investimentos em equipamentos, ampliação de serviços e certificações de qualidade, incluindo o reconhecimento de “UTI Eficiente” concedido ao HCM.

No entanto, a experiência relatada pelos pacientes coloca em evidência outro desafio da saúde pública: garantir que os serviços disponíveis estejam efetivamente acessíveis à população.

O tema também ganha relevância no cenário político maranhense, especialmente durante o período que antecede as eleições de 2026. A saúde deve permanecer entre os principais assuntos debatidos pelos candidatos ao Governo do Maranhão.

Até o momento, não foi apresentada manifestação da direção do Hospital Carlos Macieira ou da Secretaria de Estado da Saúde sobre os relatos. O posicionamento oficial poderá esclarecer quais especialidades estão com restrições de agendamento, os critérios utilizados para distribuição das vagas e a previsão para abertura de novos atendimentos.



TRE-MA determina retirada de postagem que associava Lula a Orleans Brandão e decisão gera debate sobre liberdade de expressão

 


Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) determinou a remoção de uma publicação feita no Instagram que associava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao candidato ao Governo do Maranhão Orleans Brandão (MDB). A medida foi tomada pelo desembargador José Nilo Ribeiro Filho e passou a provocar discussões sobre os limites da manifestação política nas redes sociais.

A postagem havia sido publicada pelo petista Washington Oliveira e mostrava, lado a lado, imagens de Lula e Orleans Brandão. A publicação trazia a expressão “#SEXTOU COM OS AMIGOS DE LULA E ORLEANS” e fazia referência a um evento realizado na sexta-feira, dia 28.

Segundo a análise divulgada pelo blog, a publicação não seria anônima e não apresentaria ofensas ou acusações contra candidatos, partidos ou coligações. Por isso, a decisão passou a ser questionada sob a perspectiva da liberdade de expressão assegurada aos eleitores.

As regras eleitorais estabelecem que a manifestação do pensamento na internet é livre, desde que o autor seja identificável. Há, entretanto, restrições para casos de ofensa à honra ou à imagem de candidatos, partidos, federações e coligações, além da divulgação de fatos sabidamente inverídicos.

O episódio também levanta uma discussão sobre a atuação da Justiça Eleitoral diante de manifestações espontâneas de apoio político. A avaliação apresentada no texto é de que eventuais excessos devem ser analisados individualmente, sem que isso resulte em uma proibição geral à manifestação de preferência eleitoral.

Outro aspecto citado é a autonomia dos partidos políticos. Filiados que apoiem publicamente candidatos de legendas adversárias podem eventualmente responder a procedimentos internos, dependendo das regras previstas no estatuto partidário. Entre as possíveis sanções estão advertência, suspensão de prerrogativas partidárias e até expulsão.

A decisão está relacionada ao processo nº 0601012-07.2026.6.10.0000 e reacende o debate sobre o equilíbrio entre fiscalização eleitoral, disciplina partidária e liberdade de expressão durante o período eleitoral.

Veja a decisão na íntegra:




Projeto promove inclusão e autonomia de idosos

 


Envelhecer com qualidade de vida vai muito além dos cuidados com a saúde física. Significa também manter vínculos, participar da comunidade, aprender, compartilhar experiências e ter autonomia para viver essa etapa da vida com dignidade. Em um cenário de envelhecimento da população, iniciativas que valorizam a pessoa idosa e combatem o isolamento social ganham cada vez mais importância. É com esse propósito que o Instituto Cresça desenvolve o projeto Território da Inclusão, nos povoados Bahia e Marengo, em Santa Rita no Maranhão.

O projeto pretende atender pessoas idosas com 60 anos ou mais durante três meses, oferecendo atividades educativas, culturais, tecnológicas e de lazer voltadas para o envelhecimento ativo e para o fortalecimento da autonomia.

Segundo o coordenador do Instituto Cresça, Raimundo Muniz, o projeto busca enfrentar um dos principais desafios associados ao envelhecimento: o isolamento social. “A iniciativa pretende criar um ambiente de convivência, acolhimento e troca de experiências, no qual os participantes possam fortalecer vínculos, desenvolver novas habilidades e exercer um papel ativo na comunidade. Ao todo atenderemos 70 idosos sendo  35 em Santa Rita e 35 em Marengo”, explicou Raimundo Muniz.

A proposta parte de uma realidade que ganha cada vez mais relevância no Maranhão e no Brasil: o crescimento da população com 60 anos ou mais. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para o avanço do envelhecimento demográfico no país. No Maranhão, que registrava 6.776.699 habitantes no levantamento, o aumento da população idosa também reforça a necessidade de políticas e iniciativas que assegurem qualidade de vida, participação social e direitos na terceira idade.

Raimundo Muniz ressaltou que, mais do que oferecer atividades de lazer, o Território da Inclusão tem como proposta estimular o protagonismo dos idosos. “A iniciativa parte do entendimento de que envelhecer não significa perder capacidade, autonomia ou relevância social. Ao contrário, conhecimentos, histórias e experiências acumuladas ao longo da vida são reconhecidos como elementos importantes para a construção coletiva”, explicou o idealizador do projeto.

Entre as ações previstas estão atividades voltadas ao acolhimento, à escuta e ao fortalecimento da autonomia tecnológica. O projeto pretende estimular o autoconhecimento, a criação de redes de apoio e o desenvolvimento de estratégias para enfrentar dificuldades do cotidiano. A inclusão social de pessoas em situação de vulnerabilidade está entre os objetivos centrais da iniciativa.

De acordo com o coordenador, o projeto também prevê visitas domiciliares realizadas por profissionais de fisioterapia, biomédicinam psicologia e serviço social, com atendimento aos participantes e seus familiares. “A proposta é ampliar o acompanhamento para além do espaço das atividades, considerando também a realidade familiar e comunitária de cada pessoa atendida”, detalhou Muniz.

Os cuidados relacionados à saúde também integram a programação, com ações previstas aos sábados. A iniciativa busca trabalhar a pessoa idosa de maneira integral, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também as dimensões mental, social e afetiva. “Para mim está sendo muito importante participar deste projeto no qual a gente traz a promoção de saúde e atendimento a comunidade. Somos uma equipe que faz este atendimento multidisciplinar que identifica a necessidade de cada idoso. Após o diagnóstico fazemos o direcionamento caso sejam hipertensos ou diabéticos para as unidades hospitalares, além de fazemos toda uma orientação como cuidar da saúde”, detalhou a fisioterapeuta Dalvilene Alves.

Com o Território da Inclusão, o Instituto Cresça amplia essa trajetória ao propor um espaço dedicado à convivência, ao cuidado e ao reconhecimento da pessoa idosa como protagonista. Ao colocar a pessoa idosa no centro das ações, o projeto reforça a importância de compreender o envelhecimento como uma etapa da vida que pode ser marcada por participação, aprendizado, autonomia e protagonismo social.

Sobre o Instituto Cresça

Criado em 1985, o instituto tem atuação voltada à execução, continuidade e ampliação de projetos sociais em municípios do Maranhão e em outras regiões do Norte e Nordeste.

Entre as experiências desenvolvidas pela instituição está o projeto “Remédios e Comidas de Encantados e Voduns”, realizado em 2003 e 2004 em três comunidades quilombolas. A iniciativa envolveu pessoas idosas reconhecidas como mestres dos saberes e fazeres e buscou valorizar conhecimentos ancestrais afro-brasileiros relacionados às tradições dos territórios de Santa Rita.

Em 2010, o Instituto Cresça desenvolveu ainda a iniciativa “Bancada de Arrambã”, voltada para mulheres idosas, nochês e chefes de casas de culto Mina Jeje de Santa Rita. O projeto recebeu os prêmios Ponto de Cultura e Saúde e Ponto de Memória, do Ministério da Cultura, contribuindo para a criação do Museu Comunitário do Quilombo Sítio do Meio.