03 fevereiro 2026

Entre o silêncio das férias e articulações internas, UFMA entra em período decisivo

Enquanto os câmpus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) entram oficialmente no período de férias acadêmicas, com rotina reduzida e horários especiais de funcionamento, uma série de movimentos internos revela que o silêncio institucional pode ser apenas uma cortina para disputas que se intensificam nos bastidores da maior universidade pública do estado. 

A UFMA, que mantém serviços essenciais em funcionamento mesmo durante o recesso — como setores de segurança, manutenção, tecnologia e unidades administrativas em horário especial — registra um fluxo menor de atividades acadêmicas, mas vive um momento de articulações políticas e mobilizações que prometem marcar o calendário de 2026. 

Segundo observadores da comunidade universitária, o período de férias, que segue até 1º de março com funcionamento administrativo reduzido das 8 h às 14 h, pode representar mais do que simples descanso: seria tempo de preparação para debates intensos que se avizinham. 

Na avaliação de setores críticos à atual gestão, a aparente tranquilidade nas vagas do campus contrasta com a movimentação dos grupos que disputarão posições estratégicas na instituição a partir de abril, quando se inicia o processo eleitoral para a Reitoria e para cargos de direção em centros e unidades acadêmicas.

Com o calendário eleitoral se aproximando, vozes dentro e fora da universidade afirmam que a discussão sobre cargos de liderança já começou informalmente, e que temas sensíveis — como critérios de seleção de bolsistas, transparência na distribuição de recursos e relações entre a administração superior e outras instâncias acadêmicas — devem ser pontos centrais do debate. 

Críticas relatadas por setores da comunidade estudantil e docente incluem alegações de favorecimentos e nepotismo nas gestões anteriores, levantando questionamentos sobre práticas que teriam sido naturalizadas ao longo dos anos. Para esses grupos, as eleições não serão apenas uma disputa por votos, mas uma oportunidade de confrontar narrativas e exigir transparência e responsabilidade nas decisões administrativas. 

A UFMA vem enfrentando desafios nos últimos meses que vão além das questões eleitorais. Em diversas instituições federais pelo país, incluindo a própria UFMA, movimentos grevistas de docentes e servidores continuam reivindicando melhores condições de trabalho, reajustes salariais e políticas públicas mais robustas para a educação superior pública. 

Além disso, episódios como a suspensão de aulas em tempos de crise — seja por motivos de segurança ou por ajustes no calendário acadêmico — têm afetado o ritmo de atividades, exigindo respostas rápidas da administração para garantir o bem-estar da comunidade acadêmica. 

Com o retorno das atividades letivas previsto para março, a UFMA entra em um período decisivo: além de iniciar formalmente as etapas do processo eleitoral, a instituição precisará lidar com questões internas que marcaram o último ciclo e que, segundo analistas, serão intensificadas à medida que a eleição se aproxima.

Para muitos estudantes e servidores, a expectativa é de uma disputa que ultrapassa os limites dos discursos institucionais e que possa realmente colocar em pauta não apenas agendas políticas, mas também propostas de gestão que dialoguem com demandas concretas da comunidade acadêmica.

O recesso pode até parecer um momento de calmaria, mas, como dizem alguns atores da universidade, “a tempestade já começou”.

Em tempos: O fracasso institucional da gestão de Fernando Carvalho tornou-se evidente. O silêncio do antigo gestor levanta questionamentos: seria cumplicidade ou arrependimento? O cenário permanece em aberto e pode surpreender, já que os próximos meses prometem reviravoltas impressionantes.

Em tempos 2: A saída de um antigo aliado de uma função importante e estratégica abriu um abismo e aprofundou as incertezas sobre o futuro político de Fernando Carvalho. O editorial teve acesso a documentos que podem expor pelo menos três pró-reitores e colocar, de vez, o “magnífico” no radar do Ministério Público Federal. Resta aguardar: a mágoa ainda pode crescer — e os desdobramentos prometem ser contundentes.